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	<title>Viagens Ilimitadas</title>
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		<title>Viagem Urbana</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Mar 2012 02:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Silvia Romão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Há um percurso no metro de Lisboa que faço quase diariamente e que inclui uma mudança de linha na estação do Campo Grande. Mudar da linha verde para a amarela implica descer a escada, percorrer todo o átrio inferior e voltar a subir no outro extremo. Enquanto faço este percurso apesar de ouvir o barulho...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há um percurso no metro de Lisboa que faço quase diariamente e que inclui uma mudança de linha na estação do Campo Grande. Mudar da linha verde para a amarela implica descer a escada, percorrer todo o átrio inferior e voltar a subir no outro extremo. Enquanto faço este percurso apesar de ouvir o barulho dos comboios a chegar e a partir, não os consigo ver.</p>
<p>Resta-me acrescentar que normalmente não faço este caminho em horas de ponta pelo que nunca encontro muita gente. Mas há 3 semanas atrás passei por ali perto das 19h30. O comboio estava cheio e quase todos saímos na estação do Campo Grande. Como habitualmente, desci e comecei a percorrer o átrio, altura em que se ouviu o som de um comboio a chegar. De imediato um pequeno grupo de pessoas começou a correr para a escada de acesso à plataforma da linha amarela. Rapidamente outros se foram juntando à corrida, incluindo eu própria.  Subi a escada num ápice e cheguei à plataforma mesmo a tempo de perceber que afinal o comboio que tinha chegado não era o da minha linha. Era o do lado.</p>
<p>Desde aí que tenho refletido sobre esta experiência. O que me levou a acompanhar o mar de gente que se contagia numa pressa angustiante ao ouvir o barulho de um comboio a chegar? É que eu nem sequer tinha pressa.</p>
<p>Foi assim que a semana passada resolvi fazer uma experiência. Mesmo não viajando em hora de ponta é raro dar comigo sozinha a atravessar o átrio. Também não é tão habitual ver gente a correr entre duas plataformas. Assim, todos os dias, sempre que ouvia um comboio a chegar enquanto atravessava o átrio, começava a correr. Mesmo não fazendo qualquer ideia se era o comboio que eu queria apanhar. De todas as vezes que o fiz, imediatamente outras pessoas se juntaram a mim. E não foram raras as vezes em que praticamente todos os meus companheiros de percurso me seguiram nesta corrida apressada para chegar a algo que nenhum de nós sabe se está lá. Em nenhuma das vezes acabei a corrida sozinha.</p>
<p>Fascinei-me. Voltei a olhar para o stress, a pressa e a ansiedade como vícios difíceis de largar. Não tanto porque seja uma desintoxicação dolorosa mas porque são tantas as pessoas que vivem neste registo que acabou por se tornar normal. Se todos somos assim então para quê questionar este modo de vida em alta velocidade? Mesmo que isso gere um desconforto permanente.</p>
<p>A maioria das vidas urbanas implica apanhar o comboio de um emprego fixo, de um horário rígido, acompanhados muitas vezes de uma sensação constante de insatisfação. Mas a maioria também não sabe se esse comboio vai na direcção do destino desejado. E entrar nesta viagem diária porque é assim que toda a gente vive não é garantia de felicidade. Porque a maioria sabe tanto como nós. Porque a maioria sente-se tão desconfortável como nós. E continuamos a deixar-nos levar neste torvelinho desenfreado sem perceber que fazemos parte de um cardume anónimo que não tem qualquer certeza se, no momento certo, o comboio vai lá estar. Porque nunca experimentámos fazer diferente. Não por falta de coragem. Acredito que mais por falta de hábito.</p>
<p>Deixar de correr. Abandonar o cardume. Procurar o meu próprio ritmo. Aquele que define a minha individualidade. Não há maneira nenhuma de saber se o comboio que chega é o meu. Por isso, nesta pequena viagem de transbordo entre linhas de metro, prefiro escutar a minha própria velocidade e desfrutar da travessia do átrio. Porque mesmo que seja o comboio que me leva ao meu destino que esteja a chegar, outros haverão. Aquilo que não recupero é o presente. A calma e a harmonia dos dias sem pressa.</p>
<p><a href="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/03/metro.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1540" title="metro" src="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/03/metro-300x172.jpg" alt="" width="300" height="172" /></a></p>
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		<title>Ouvir as vozes do passado</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Mar 2012 02:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lourenço de Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagens ilimitadas]]></category>

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		<description><![CDATA[Acordei hoje às 7:30 numa aldeia a 30 minutos de Pamplona  &#8211; é segunda de manhã. Está frio lá fora. Levanto-me. Depois de um sumo de maçã com aipo treino durante hora e meia. Pequeno almoço &#8211; Creme de millet, pão de Kamut e manteiga de sésamo. Saio para uma caminhada nórdica com o meu...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acordei hoje às 7:30 numa aldeia a 30 minutos de Pamplona  &#8211; é segunda de manhã.</p>
<p>Está frio lá fora.</p>
<p>Levanto-me.</p>
<p>Depois de um sumo de maçã com aipo treino durante hora e meia.</p>
<p>Pequeno almoço &#8211; Creme de millet, pão de Kamut e manteiga de sésamo.</p>
<p>Saio para uma caminhada nórdica com o meu anfitrião durante mais de uma hora até transpirar.</p>
<p>Chego e trabalho na horta até à hora de almoço.</p>
<p>Almoço de luxo [ver foto abaixo] &#8211; cumprimentos ao Egoitz que cozinhou esta refeição.</p>
<p>15:30 &#8211; Sento-me agora confortavelmente no sofá da sala durante três horas para escrever e preparar aulas.</p>
<p>Confesso que nestes dias que o meu passado de quem trabalhou até 1998 das 9 às 19 continua a ecoar e se sente abalado.</p>
<p>Faz-me lembrar uma história do livro do Gabriel Garcia Marquez &#8211; Cem anos de solidão.</p>
<p><em>Existe um personagem que passou vários anos amarrado à cama para não fugir, um dia a família achou que estava na altura de o desamarrar e coloco-o no jardim debaixo de uma árvore.</em></p>
<p><em>No entanto este personagem fugia repetidamente para o quarto para se deitar na cama.</em></p>
<p><em>A família acabou por optar por amarra-lo à árvore do jardim para ele não fugir para o quarto.</em></p>
<p>O que tenho aprendido neste últimos anos é todos os dias encontro o Lourenço de há 14 anos atrás.</p>
<p>Atarefado</p>
<p>Com poucas horas dormidas</p>
<p>A funcionar a cafés duplos</p>
<p>Irrequieto</p>
<p>A ignorar as próprias necessidades e sem saber gerir o seu próprio tempo nem o tempo para os outros</p>
<p>Sem ter tempo de saborear &#8211; o que quer que fosse</p>
<p>Incapaz de dizer não</p>
<p>Este Lourenço está comigo todos os dias a lembra-me que este ritmo não é de homem</p>
<p>Que devia ser mais produtivo</p>
<p>Que a vida são dois dias e há tanto para fazer</p>
<p>Que se aceitar mais uma consulta, mais uma aula, mais um fim de semana e trabalho não faz mal</p>
<p>Que me assusta e diz &#8211; &#8220;olha que morres à fome&#8221;, &#8220;olha que chegas ao fim do mês sem dinheiro&#8221;, &#8220;não é suposto descansar mais que trabalhar e mesmo assim sobreviver e ser feliz&#8221;, &#8220;fazer o que se gosta é uma ilusão&#8221;, &#8220;já vistes os outros?&#8221;</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Mas neste tempo tenho aprendido que é importante ter esta referência e ter um relacionamento próximo com esta personagem que me diz que apesar de estar no jardim devo voltar para a cama.</p>
<p>Que a cama é de longe mais seguro que o jardim.</p>
<p>Que a segurança é preferível à felicidade</p>
<p>Que as condições para ocorrer a mudança ainda não estão todas reunidas</p>
<p>Que adiar uma resolução no sentido de um sonho não faz mal</p>
<p>E que o melhor dia para começar algo transformador é amanhã ou para o ano que vem.</p>
<p>Obrigado Lourenço colheita de 1998 por estares comigo estes anos todos, pela tua persistência em mostrar-me que tudo o que tenho feito é descabido e perigoso para a minha sobrevivência.</p>
<p>Sem ti nunca tinha dado o primeiro passo na direção que me encontro hoje.</p>
<p><em><a href="mailto: lourencoazevedo@gmail.com" target="_blank">Gostava de saber</a> qual é a relação com a vossa voz interior que interroga, assusta e condena os vossos projetos, viagens e sonhos.</em></p>
<p><em>Que importância tem esta voz na vossa vida &#8211; Paralisa ou Motiva?</em></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/03/Macrofood.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1535" title="Macrofood" src="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/03/Macrofood-1024x682.jpg" alt="" width="717" height="477" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Viajar por caminhos sem fim</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2012 02:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lourenço de Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagens ilimitadas]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Eu penso que no momento que as minhas pernas se movem os meus pensamentos começam a fluir&#8221; &#8211; Henry David Thoreau Antes de encontrar a Medicina Tradicional Chinesa passei por muitas atividades. Estas atividades tinham uma característica em comum &#8211; eram desafiantes mas após os primeiros meses/ano tornavam-se repetitivas e sem qualquer grau de desafio....]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Eu penso que no momento que as minhas pernas se movem os meus pensamentos começam a fluir&#8221; &#8211; Henry David Thoreau</p>
<p>Antes de encontrar a Medicina Tradicional Chinesa passei por muitas atividades. Estas atividades tinham uma característica em comum &#8211; eram desafiantes mas após os primeiros meses/ano tornavam-se repetitivas e sem qualquer grau de desafio.</p>
<p>Se já passaram por uma empresa para visitar antigos colegas cinco anos depois de terem saído e vos dá a sensação que pouco mudou sabem do que estou a escrever.</p>
<p>É isto que chamo um caminho com fim.</p>
<p>Não existe muito mais para onde ir depois de ser tomado, o terreno é conhecido e torna-se árido com o passar do tempo.</p>
<p>Por outro lado, os caminhos sem fim</p>
<ul>
<li>São percursos em que o caminho é de longe mais importante que a chegada</li>
<li>É o percurso onde podemos explorar todo o nosso potencial &#8211; mesmo que seja assustador, e na maior parte das vezes é, como todo bom caminho sem fim</li>
<li>É um percurso que quando estamos a adormecer ou acordamos faz todo o sentido percorrer</li>
<li>É aquele assunto que falamos sem parar durante horas a fio</li>
<li>É o percurso que desperta em nós medo &#8211; especialmente do desconhecido e todas as desculpas do mundo para não o realizar</li>
<li>É o percurso que é adiado sucessivamente por falta das condições ideais e trocado por outros mais imediatos, seguros ou previsíveis mas que nem por isso nos fazem mais felizes</li>
</ul>
<p>Independentemente do grau de mudança que este percurso possam trazer nossa sua vida a mochila do caminhante que queira percorrer estes caminhos deverá conter além de outras coisas</p>
<p><strong>Curiosidade</strong> &#8211; É a curiosidade que permite fazer a pergunta &#8220;<a title="Porque não?" href="http://devagar.org/gblog/2012/02/porque-nao/" target="_blank">Porque não?</a>&#8220;. Sem curiosidade não vemos outros trilhos, as possibilidades que estão sempre a surgir &#8211; quer percorramos um caminho com ou sem fim. Os tons de verde ou cinzento que observamos nas nossas caminhadas estão diretamente relacionados com a quantidade de curiosidade que colocamos na nossa viagem.</p>
<p><strong>Criatividade</strong> &#8211; Percorrer um caminho sem fim exige encontrar soluções nunca vistas e extraordinárias. Quando decidimos que queremos fazer um percurso que mais ninguém fez &#8211; o nosso, a criatividade é o que nos permite responder às perguntas que vamos tendo curiosidade de perguntar, todos os dias, muitas vezes ao dia.</p>
<p><strong>Caos</strong> &#8211; Quem percorre um caminho com fim &#8211; seguro e previsível, teme o caos. Num caminho sem fim existem troços sem rede, troços que temos de mergulhar e suster a respiração, troços às escuras,  declives ou descidas grandes e às vezes, senão diariamente dragões e outros animais ferozes. Mas é do caos que nascem as galáxias, o planeta terra surgiu do caos, a vida inicia-se a partir de um caos primitivo. Ao recusar o caos estamos a recusar uma das forças mais poderosas de criação de possibilidades. <strong>Pergunta:</strong> Se percorre agora um caminho que é seguro e previsível pense de novo &#8211; Quem é que lhe garante que é mesmo assim tão seguro e previsível?</p>
<p><strong>Consistência &#8211; </strong>A consistência permite avançar todos os dias. Num caminho sem fim não é a quantidade de passos que são feitos que é importante mas sim a sua qualidade e regularidade. <strong></strong></p>
<p><strong>Coragem &#8211; </strong>Um soldado de Esparta não pergunta quantos inimigos são, pergunta &#8211; onde estão? A coragem permite ver o caminho sem fim como a única escolha possível. Ai está o desafio, independentemente do grau de dificuldade que apresente.<strong><br />
</strong></p>
<p><strong>Celebração</strong> &#8211; Cada passo é uma celebração neste caminho. Quando foi a última vez que celebrou algo? A diferença entre quem percorre um caminho com fim e sem fim é que o primeiro celebra todos os anos o seu aniversário o segundo celebra todos os dias o milagre da vida.</p>
<p>Qual é o trilho que percorre agora? Com fim ou sem fim? Quais os desafios que encontra nesta caminhada? O que lhe falta na bagagem?</p>
<p>A partilha do seu caminho para o nosso <a href="mailto: lourencoesilvia@gmail.com" target="_blank">email</a> é bem vinda.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/03/path.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1532" title="path" src="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/03/path.jpg" alt="" width="492" height="328" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Porque não?</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Feb 2012 02:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Silvia Romão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Há 8 anos atrás num fim de tarde dos primeiros dias de Primavera em que o sol começa a aquecer-nos as entranhas encolhidas pelo frio do Inverno eu monopolizava a capacidade auditiva de um velho amigo com lamentos sobre a frustração que me inundava. Um sentimento viscoso que escorria por mim dentro e tomava conta...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há 8 anos atrás num fim de tarde dos primeiros dias de Primavera em que o sol começa a aquecer-nos as entranhas encolhidas pelo frio do Inverno eu monopolizava a capacidade auditiva de um velho amigo com lamentos sobre a frustração que me inundava. Um sentimento viscoso que escorria por mim dentro e tomava conta do meu ser de uma forma assustadoramente intensa.</p>
<p>Impotência. Aprisionamento. Incapacidade. Insatisfação. Inadaptabilidade. A minha vida, a minha profissão, as minhas rotinas já não me serviam. Sentia-me apertada como se de repente tivesse enfiado à força uns jeans dois números abaixo do meu. Estava a viver dias tamanho 32. Eu, que normalmente visto o 36.</p>
<p>Esse aperto impedia-me de manter a fluidez dos passos e o ar que respirava não chegava ao fundo dos pulmões.</p>
<p>Não havia uma loja onde eu pudesse ir trocar a minha vida por um tamanho acima e não via nenhuma possibilidade de me despir da vida que trazia vestida há já uma década. Não podia correr o risco de ficar nua. Achava eu.</p>
<p>Foi quando o meu amigo me perguntou:</p>
<p>- Se a vida que tens te causa tamanha frustração talvez seja porque não gostas dela. O que gostarias tu realmente de fazer com a tua vida?</p>
<p>A placidez do fim do dia foi perturbada pelo saltar do primeiro botão. Não é que os meus dias tivessem deixado de me servir. Eu é que já não cabia neles. Imediatamente refreei a respiração com medo de que mais botões se soltassem. Mas respondi-lhe:</p>
<p>- Não sei bem. Sei que não quero continuar neste registo de “jovem executiva de sucesso”. Gostava de deixar de trabalhar, viajar, escrever e descobrir-me.</p>
<p>Mais surpreendente foi a pergunta seguinte que ele me fez:</p>
<p>- E porque não?</p>
<p>O resto dos botões foi ao ar. O fecho soltou-se. Agora, quisesse ou não, estava meia despida. E assim me mantive durante dois anos. Semi-nua. Sem saber como voltar a apertar os meus dias no meu ser.</p>
<p>Dois anos de reflexão, de ponderação, de meditação. Dois anos para perceber que na verdade não precisava de outro fato apertado. Só precisava de me livrar dos restos daquele que já mal me cobria o corpo.</p>
<p>Dois anos depois despedi-me do emprego com um alívio que poucos entenderam. Porque se habituaram de tal forma a vestir roupa que não lhes serve que já nem notam e estranham quando alguém se recusa a continuar a fazê-lo. Tal como eu, até então.</p>
<p>Fechei a porta. Saí para a vida. Despida dos dias apertados.</p>
<p>Nua, sim. Porque não?</p>
<p><strong>Proposta</strong>:</p>
<p>Sente-se e imagine a vida que realmente gostaria de ter. É muito diferente da actual? Se sim pergunte-se: porque não mudar? Escreva as justificações que encontrar num papel. Serão elas realmente válidas? Ou são a voz do medo do desconhecido, da segurança ameaçada, do receio de falhar, da apreensão de não ser aceite pelos que lhe são mais próximos?</p>
<p>Partilhe-as comigo para o meu <a href="mailto: silvia.m.romao@gmail.com">e-mail</a>. Muitas delas devem ter sido também as minhas. Até o medo de passar pela vida sem tentar finalmente as vencer.</p>
<p><a href="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/02/Porta.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1528" title="Porta" src="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/02/Porta-213x300.jpg" alt="" width="213" height="300" /></a></p>
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		<title>Fazer</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 02:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lourenço de Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagens ilimitadas]]></category>

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		<description><![CDATA[Podemos planear as nossas viagens. Fazer o download de aplicações que nos auxiliem a organizar melhor a nossa vida. Ler livros que nos esclarecem e nos dão direções a seguir. Falar com amigos, conhecidos e subscritores sobre formas de simplificar as nossas vidas. Mas isso não te muito a ver com o Fazer. Pelo contrário,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Podemos planear as nossas viagens.</p>
<p>Fazer o download de aplicações que nos auxiliem a organizar melhor a nossa vida.</p>
<p>Ler livros que nos esclarecem e nos dão direções a seguir.</p>
<p>Falar com amigos, conhecidos e subscritores sobre formas de simplificar as nossas vidas.</p>
<p>Mas isso não te muito a ver com o Fazer.</p>
<p>Pelo contrário, o tempo que estamos a falar dos nossos, projetos, a aprender como utilizar uma nova aplicação que vai transformar e o nosso dia a dia ou à procura do próximo livro que nos vai salvar a vida não estamos a Fazer.</p>
<p>Estamos apenas a adiar.</p>
<p>Escolha algo que gostaria de Fazer. Não tem de ser grandioso, pode ser arrumar a casa, voltar a meditar 10 minutos por dia, voltar a uma rotina física, voltar aquela dieta que ficou na gaveta antes do Natal &#8211; não comente, não procure mais recursos informáticos, não leia mais literatura &#8211; não adicione mais nada ao que já tem.</p>
<p>Tenha &#8220;só&#8221; a coragem de dar o primeiro passo e Fazer.</p>
<p><a href="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/02/feet.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1519" title="Walking" src="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/02/feet-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Arrumar memórias</title>
		<link>http://devagar.org/gblog/2012/02/arrumar-memorias/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 02:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Silvia Romão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Dentro da minha vida, existem muitas vidas diferentes. E, como todas as vidas, tendem a acumular memórias e vivências em forma de fotografias, livros, música, papéis, cadernos e outros objectos. Hoje, à beira de mudar novamente para uma outra vida, fui visitar as minhas vidas passadas e limpar os armários, caixas e gavetas que elas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dentro da minha vida, existem muitas vidas diferentes. E, como todas as vidas, tendem a acumular memórias e vivências em forma de fotografias, livros, música, papéis, cadernos e outros objectos.</p>
<p>Hoje, à beira de mudar novamente para uma outra vida, fui visitar as minhas vidas passadas e limpar os armários, caixas e gavetas que elas ocupavam.</p>
<p>Quando decidi mudar o meu rumo há seis anos escolhi embarcar na viagem de uma existência minimalista, optando por uma vida simples, liberta do peso que acumulei à proporção de objectos que fui juntando.</p>
<p>Mesmo assim, passado este tempo, espanta-me a quantidade imensa de coisas irremediavelmente inúteis que ainda possuo. Coisas guardadas em caixas, esquecidas em garagens de amigos ou arrecadações de familiares que contam detalhes das histórias das minhas outras vidas.</p>
<p>Coisas que deixaram de fazer falta porque se ligam a memórias esquecidas. Memórias que não cabem na vida actual. Não porque tenham sido más ou boas mas porque não fazem vibrar a pessoa que sou hoje. Porque mesmo sabendo que são minhas, já não as sinto. À força de as viver e aprender, esgotaram a sua capacidade de me ensinar e satisfazer.</p>
<p>Hoje foi dia de lhes dizer adeus. Num sentimento de gratidão porque fizeram de mim a Sílvia que sou hoje. Mas sobretudo com uma enorme alegria porque ao olhar para elas reforço a certeza de que nunca fui tão feliz como agora.</p>
<p>Ao despedir-me de mais uma remessa de coisas, ganho espaço para a minha nova vida que está a começar não tarda. Espaço esse que ambiciono preencher não com outros objectos mas com emoções, sensações e momentos partilhados que se imortalizam no meu ser.</p>
<p>Porque o que sou é realmente tudo o que tenho!</p>
<p><strong>Proposta:</strong></p>
<p>Diz a tradição oriental que é auspicioso limparmos a casa e criarmos espaço para receber a Primavera. Se o fizermos, ela pode manifestar-se nas nossas vidas e brindar-nos com o poder do renascimento que a acompanha.</p>
<p>Que tal, até à chegada da Primavera, abdicarmos de um objecto por semana?</p>
<p>Parece difícil? Não é preciso ser muito radical. Olhe à volta. De certeza que encontra coisas como:</p>
<ul>
<li>Uma caneta que já não escreve</li>
<li>Papeis de multibanco, facturas de restaurantes que ficaram esquecidos, amachucados num canto</li>
<li>Roupa que já não usa há pelo menos 2 anos</li>
<li>Um pequeno electrodoméstico que se estragou e está há tempos imemoriais à espera que alguém o arranje.</li>
<li>Alimentos fora de prazo esquecidos no fundo das prateleiras da dispensa.</li>
<li>Jogos e programas de computador que ficariam mais enquadrados num museu do que na gaveta do armário do escritório</li>
<li>E tantos outros pequenos pormenores que entopem o nosso espaço, impedindo subliminarmente que o novo se instale.</li>
</ul>
<p>Começando devagar, a vontade de conquistar espaço cresce e depressa as pequenas arrumações se tornam grandes transformando as nossas vidas em ambientes com espaço suficiente para o movimento da concretização dos nossos sonhos.<br />
Partilhem a vossa experiência. E chamem-me se precisarem de ajuda!</p>
<p><a href="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/02/caixas.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1515" title="caixas" src="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/02/caixas-226x300.jpg" alt="" width="226" height="300" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Nove semanas a viajar</title>
		<link>http://devagar.org/gblog/2012/01/nove-semanas-a-viajar/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 02:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lourenço de Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagens ilimitadas]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Sem sair da porta Pode-se conhecer o mundo Sem ver através da janela Pode-se conhecer o Caminho do Céu Quanto mais longe saímos, Tanto menos conhecemos&#8221;  &#8211; Tao Te Ching Capítulo 45. Hoje não vamos para muito longe. Proponho-vos uma viagem interna ou um dos projetos pelos quais nutro mais carinho. Chama-se Chi Kung Dojo....]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Sem sair da porta Pode-se conhecer o mundo</em></p>
<p><em>Sem ver através da janela </em></p>
<p><em>Pode-se conhecer o Caminho do Céu </em></p>
<p><em>Quanto mais longe saímos, </em></p>
<p><em>Tanto menos conhecemos&#8221;  &#8211; </em>Tao Te Ching Capítulo 45.</p>
<p>Hoje não vamos para muito longe.</p>
<p>Proponho-vos uma viagem interna ou um dos projetos pelos quais nutro mais carinho.</p>
<p>Chama-se Chi Kung Dojo.</p>
<p>O Chi Kung Dojo foi criado em 2010 para os meus alunos com o objectivo de os ajudar a aprofundar o treino de Chi Kung e preencher alguns vazios teóricos que ficavam por nutrir nas aulas.</p>
<p>No entanto, este projeto na segunda edição em 2011 surpreendeu-me pela diversidade de participantes que se inscreveram e que aceitaram durante sete semanas investir na criação de um Enraizamento e contacto com a terra efetivo e real.</p>
<p>Coreógrafos, Bailarinos, Bancários, Psicólogos, Artistas Plásticos, Terapeutas, Gestores, Empregados de balcão entre outros conseguiram encontrar nas suas ocupações diárias um lugar onde o enraizamento se tornou útil e que transformou a sua visão do que é de facto estar enraizado.</p>
<p>A minha proposta este ano de 2012 é  <a href="http://devagar.org/center">Cultivar e Fortalecer o Centro durante Nove Semanas.</a></p>
<p>Está de acordo com sete sintomas que na minha experiência clínica e de ensino impedem de contactar com o nosso Centro e ter acesso ao nosso potencial inato.</p>
<ol>
<li><strong>Um corpo agitado física e mentalmente</strong></li>
<li><strong>Tensões várias especialmente na parte superior do corpo </strong></li>
<li><strong>Desequilíbrio entre atividade e repouso</strong></li>
<li><strong>Apetite excessivo e alimentação caótica</strong></li>
<li><strong>Falta de tempo pessoal ou má gestão do mesmo </strong></li>
<li><strong>Falta de espaço físico para parar e definir prioridades</strong></li>
<li><strong>Vida pessoal e familiar instável</strong></li>
</ol>
<p>A universalidade da prática do Chi Kung permite que embora no seus primórdios fosse apenas utilizados por elites como os terapeutas, monges ou guerreiros, ser hoje utilizada por qualquer pessoa independentemente da experiência ou conhecimentos prévios desta arte.</p>
<p>E o que anteriormente era utilizado para</p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>Manter o corpo relaxado e a mente focada</strong><br />
<strong>Gerir situações de tensão interna e externa</strong><br />
<strong>Fortalecimento do Corpo </strong><br />
<strong>Aumento da longevidade</strong><br />
<strong>Desenvolvimento espiritual</strong></p>
<p>Aplica-se perfeitamente também aos dias de hoje em quem quer investir na sua auto descoberta e gostar de desafios.</p>
<p>Deixo-vos os testemunhos de cinco praticantes/viajantes que aceitaram o desafio do ano passado.</p>
<p><em>&#8220;Esta possibilidade de ensino via online deu-me um jeitaço, uma vez que já não moro em Lisboa. É uma oportunidade de continuação do refinar do que aprendi, relembrar de pequenos ajustes e aprender coisas novas. No dia a dia, tenho tendência a perder-me no meio de tanta coisa que exige de nós. Não são precisas horas de treinos nem esquemas muito &#8220;malucos&#8221; para que possamos manter a ligação com o nosso Eu</em>.&#8221; &#8211; Fidélia Santarém</p>
<p><em>&#8220;Este curso motivou a minha prática de qigong, influenciando tanto o exercício em si como o meu dia-a-dia. Participei no curso on-line, que à primeira vista pode parecer mais distante, mas ainda assim senti que houve um acompanhamento bastante grande. Os exercícios foram bem transmitidos e a informação bastante integrada e clara. Senti uma progressão significativa e espero continuar com este tipo de disposição mental para o treino. Uma mais valia.</em>&#8221; &#8211; Filipa Rodrigo</p>
<p><em>&#8220;Antes de começar o programa do rooting não tinha noção dos benefícios do chi kung. As aulas semanais no IMP eram quase sempre um sacrifício, era o desconforto no corpo, mas acho que o pior mesmo era a minha mente sempre a dizer “mas quando é que mudamos de posição???” Quando comecei o programa, de inicio o sacrifício continuava, mas à medida que os dias foram passando, a prática diária foi suavizando, o corpo foi gostando das posturas e a mente começou a aquietar. E desde aí tem sido difícil estar um dia sem fazer, começo logo o dia a pensar qual vai ser o momento do dia em que vou parar para chi kungar. Só quem faz é que sabe o “poder” que o chi kung nos devolve. Não consigo explicar&#8221;.</em> &#8211; Salomé Martins</p>
<p><em>&#8220;O que mais me surpreendeu foi a criação de um espaço e tempo para mim, consciente e com o fim de apenas estar comigo (o não fazer nada fazendo, o estar comigo estática e em processo dinâmico de conhecimento), e o próprio processo de tornar-se clara a necessidade que tenho desse tempo/espaço&#8221;.</em> &#8211; Joana Rosa</p>
<p><em>&#8220;O Chi Kung Dojo é uma ferramenta essencial para ajudar na prática de Chi Kung permitindo obter resultados concretos na medida em que cada aluno pode avançar ao seu ritmo e mediante a sua própria disponibilidade.&#8221;</em> &#8211; Paulo Rodrigues</p>
<p><a href="http://devagar.org/center">Visitem o link para para saberem mais sobre esta viagem. </a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/01/pebbles2.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1512" title="pebbles2" src="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/01/pebbles2-234x300.jpg" alt="" width="234" height="300" /></a>Foto: Andy Goldsworthy</p>
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		<title>A Agenda</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 02:34:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Silvia Romão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de adormecer olho para a agenda da semana e está colorida de acontecimentos, trabalho, encontros, reuniões, planos. Na manhã seguinte acordo e a febre, as dores no corpo, os espirros e a tosse não me deixam ultrapassar a fronteira da porta de casa. De repente a semana que se tinha apresentado sob a forma...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de adormecer olho para a agenda da semana e está colorida de acontecimentos, trabalho, encontros, reuniões, planos.</p>
<p>Na manhã seguinte acordo e a febre, as dores no corpo, os espirros e a tosse não me deixam ultrapassar a fronteira da porta de casa.</p>
<p>De repente a semana que se tinha apresentado sob a forma de uma agenda cheia teve de ser alterada. Tudo era uma prioridade. Tudo exigia a minha atenção. Tudo gritava pela minha presença.</p>
<p>Tudo acabou por se revelar afinal tão flexível.</p>
<p>Ajuste daqui, encaixe dali, pequena alteração de planos mais acolá e, de repente, tenho dois dias livres para ficar em casa a recuperar.</p>
<p>As nossas agendas não são ditadores de pedra, rígidos, inquebráveis, inamovíveis. As nossas agendas são feitas, preenchidas e coloridas por nós à medida do que somos e do que queremos. Em qualquer momento e seja porque motivo for elas podem ser alteradas, sacudidas, libertas, enfeitadas com espaços para respirarmos, para vivermos.</p>
<p>Seja porque fomos apanhados desprevenidos pelo rigor do Inverno. Seja porque é importante haver tempo para estar com alguém. Seja por saudades de estarmos conosco mesmos.</p>
<p>Tudo é válido na nossa agenda. Nada do que lá consta é assunto de vida ou morte. Nenhum dos afazeres que ela nos incumbe nos torna indispensáveis ou insubstituiveis.</p>
<p>As únicas prioridades a constar das páginas dos nossos dias deveriam ser a nossa felicidade e o nosso bem estar.</p>
<p>Afinal, se morrermos, a agenda morre conosco e é como se nunca tivesse existido.</p>
<p>E tomar consciência deste facto não é tão libertador?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/01/agenda.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1507" title="agenda" src="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/01/agenda-232x300.jpg" alt="" width="232" height="300" /></a></p>
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		<title>Donos do Tempo</title>
		<link>http://devagar.org/gblog/2012/01/donos-do-tempo/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 02:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lourenco e Silvia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[2 de Janeiro de 2006. Silvia: Acordo pelas 7h30 da manhã como todos os dias desde há muitos anos. No início porque tinha de ir para a escola. Mais tarde porque tinha de ir para o trabalho que, graças ao tempo que passei na escola, consegui arranjar. Hoje, pelo hábito instalado no corpo. É o...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>2 de Janeiro de 2006.</strong></p>
<p><strong>Silvia:</strong> Acordo pelas 7h30 da manhã como todos os dias desde há muitos anos. No início porque tinha de ir para a escola. Mais tarde porque tinha de ir para o trabalho que, graças ao tempo que passei na escola, consegui arranjar. Hoje, pelo hábito instalado no corpo.</p>
<p>É o primeiro dia em que não trabalho. Voluntariamente. Estou a experimentar pela primeira vez a sensação de não ter nenhum horário a cumprir.</p>
<p><strong>Lourenço:</strong> Sabes que eu fiz isso 9 anos antes e tirei dois meses para saber o que queria fazer da minha vida. E tive de criar uma rotina. E também me levantava às 7:30 para me manter ocupado. Deitava-me a horas e levantava-me a horas. Foi para mim importante que isso acontecesse assim. Criou-me uma estabilidade no processo.</p>
<p><strong>Silvia:</strong> No início de 2005 tinha decidido reclamar o meu tempo para mim. Ainda não sabia bem como mas sabia que não queria continuar a vender o meu tempo a terceiros daquela forma tão drástica. Afinal nem tinha tempo para aproveitar os benefícios que vender o meu tempo me trazia.</p>
<p>Um ano de preparação para chegar a este dia. E, agora que era real, eu estava como que paralisada. De pijama sentada no sofá da sala com a cabeça apoiada nas mãos. A tomar consciência de que pela primeira vez em tantos anos não tinha nenhuma reunião agendada, nenhum prazo para cumprir, ninguém à minha espera. Eu, que até ao dia 23 de Dezembro tinha sido uma espécie de <em>workaholic</em>.</p>
<p><strong>Lourenço:</strong> Também me lembro desse dia mas não fui eu que tinha a cabeça apoiada nas mãos eram os meus pais que viam o filho de 27 anos voltar a casa e a pedir dois meses sem fazer nada. Havia um misto de preocupação e terror no ar.</p>
<p><strong>Silvia:</strong> Percebi que pela primeira vez era totalmente dona do meu tempo. E não sabia o que fazer. Era como se tivesse ganho a lotaria e agora não tinha ideia do que fazer com tanto dinheiro.</p>
<p>Entrei em pânico!</p>
<p><strong>Lourenço:</strong> Sabes percebi que a forma de não entrar em pânico são as rotinas que referi acima ajudam a criar uma câmara e descompressão. E uma das coisas que fazia religiosamente era &#8211; vestia-me sempre e nunca ficava de pijama em casa.</p>
<p><strong>Silvia:</strong> E neste estado me mantive ainda durante alguns dos meses do meu ano sabático. Tinha todo o tempo do mundo mas tinha a sensação de que não tinha tempo para nada.</p>
<p><strong>Lourenço:</strong> Eu ao fim de dois meses cumpri a promessa feita aos meus pais e voltei a procurar trabalho. Mas pareceu que a energia que ganhei nesses dois meses se desvaneceu em entrevistas e visitas às empresas.</p>
<p>No fim dessa semana decidi que queria mudar de carreira e não queria manter a minha antiga profissão.</p>
<p><strong>Silvia:</strong> A agenda tornou-se um verdadeiro campo de batalha entre compromisso assentes, riscados, alterados, com setas para outras horas, outros dias.</p>
<p>Inevitavelmente instalou-se a frustração. A sensação de que era completamente inútil. Não conseguia fazer nada do meu tempo. Não estava a ser produtiva.</p>
<p><strong>Lourenço:</strong> Para quem estava habituado a um regime de quase 10 horas laborais o trabalho que encontrei era simples. Era numa escola, trabalhava como vigilante apenas durante os intervalos e tinha o resto do tempo para&#8230; fazer nada. Nesse &#8220;nada&#8221; pude fazer uma descompressão da minha antiga profissão que durou quase dois anos. Além disso coloquei a leitura em dia.</p>
<p><strong>Silvia:</strong> Felizmente também chegou o Verão. E com ele o sol e a praia. Três conceitos que adoro.</p>
<p>Foi graças a estes novos elementos que percebi como pode ser difícil sermos donos do nosso tempo. Que me tinha proposto a parar para perceber o que fazer com o meu tempo sem ter de abdicar dele.</p>
<p><strong>Lourenço:</strong> O que me possibilitou perceber que podia fazer algo e que podia ser dono do meu tempo foi quando o Curso de Medicina Tradicional Chinesa surgiu na minha vida. Eu que sempre me tinha recusado a fazer um curso superior por não encontrar nada que me motivasse percebi que afinal era possível estudar um assunto motivante e eventualmente se terminasse ter algo que me preenchesse.</p>
<p><strong>Silvia:</strong> Não estava a ser produtiva? Pois não. Mas apenas porque estava a desperdiçar aquele ano em ansiedades e frustrações irreais. Era suposto não ter obrigações. O objectivo era parar para conseguir estar atenta a tudo o que me despertasse curiosidade. Perceber o que queria fazer, o que me apaixonava. Para ter de deixar de vender o meu tempo a um preço tão elevado para mim.</p>
<p>Peguei nos livros, nas revistas e no leitor de mp3 e fui para a praia. Era o meu ano sabático, já tinham passado quase seis meses, tinha de o aproveitar antes que acabasse. Li, escrevi, refleti, observei, ouvi música, estive com velhos amigos, fiz novos. Relaxei.</p>
<p>Acima de tudo aprendi que o tempo é um bem tão precioso que quando está à nossa total disposição temos receio de o usar. Não sabemos como. Nunca nos foi ensinado porque assim que começamos a tomar contacto com ele, somos enviados para a escola onde começamos de imediato a cumprir horários.</p>
<p>Quase um ano. Não para perceber o que iria fazer a seguir mas para me sentir realmente dona do meu tempo. E este foi o meu segundo momento de viragem. Depois de entender a<a href="http://devagar.org/gblog/2011/12/sprint/" target="_blank"> importância do descanso</a>, aprender a ser totalmente responsável pelo meu tempo ajudou-me a chegar ao que sou hoje: a autoridade máxima sobre as horas dos meus dias.</p>
<p><strong>Lourenço:</strong> No primeiro dia que iniciei os meus estudos de Medicina Tradicional Chinesa entendi que estava a dar um passo importante e estava a reclamar o meu tempo e a minha independência. O curso demorou cinco anos. Cinco anos em que se sente que é fácil voltar às rotinas laborais antigas só porque é mais simples ou mais rentável. Mas em cada afirmação que fiz no sentido de seguir o que acredito mais e mais o meu tempo se tornou um bem precioso.</p>
<p>Ainda ontem tive de fazer essa afirmação e ainda hoje deparei com essa questão e muito provavelmente amanhã também.</p>
<p>Reclamar o meu tempo para mim não é um dado adquirido. Tal como numa relação é algo que deve ser renovado e afirmado todos os dias como qualquer arte.</p>
<p><strong>Silvia:</strong> <strong>Experimente</strong></p>
<p>Hoje à noite quando chegar a casa, pegue num papel e num lápis e escreva quanto do tempo que viveu hoje pode reclamar como realmente seu.</p>
<p>De seguida, imagine-se com 24 horas completamente livres de compromissos ou obrigações. Como as passaria? Olhe para o que escreveu e passe à acção. Se uma vida de tempo livre é possível, 24 horas é facílimo de arranjar.</p>
<p><strong>Lourenço:</strong> E gosto mais do exercício das três perguntas que me ajuda a centrar e a entender até que ponto o meu tempo é mesmo meu e se a minha energia está a ser direcionada para o que é essencial. Este exercício pode ser revisitado <a href="http://devagar.org/gblog/2011/06/perguntas/" target="_blank">neste post</a>.</p>
<p><a href="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/01/tm.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1502" title="tm" src="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/01/tm-300x215.jpg" alt="" width="300" height="215" /></a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O que ficou na mochila de 2011</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 02:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lourenco e Silvia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[No ultimo dia do ano fizemos um balanço. Do que foi 2011. Do que será 2012. Do que queremos para nós. Individualmente e em conjunto. Numa conversa encaixada na cadência dos passos da caminhada pelo campo que se fez ao longo de uma tarde. Um diálogo enriquecido pela perspectiva da partilha da escrita materializada neste...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No ultimo dia do ano fizemos um balanço. Do que foi 2011. Do que será 2012. Do que queremos para nós. Individualmente e em conjunto.</p>
<p>Numa conversa encaixada na cadência dos passos da caminhada pelo campo que se fez ao longo de uma tarde.</p>
<p>Um diálogo enriquecido pela perspectiva da partilha da escrita materializada neste texto onde nos propomos a juntar as nossas duas visões de 2011.</p>
<p><strong>Silvia</strong>: 2011 foi o sexto ano que vivi fora da rotina dos dias que se desenrolam à volta das obrigações das 9 às 6, 5 dias por semana.</p>
<p>Mais doze meses de tentativa/erro até acertar (nem sempre).</p>
<p><strong>Lourenço</strong>: Quando divido as horas que trabalho por mês por quatro o número de horas é inferior a 20. No entanto, não considero que essas horas sejam trabalho. Estou muito próximo da semana de zero horas laborais porque o que faço não é trabalho mas expressão de mim próprio no mundo.</p>
<p>Como dizem os Taoístas “Quem encontra aquilo que gosta de fazer nunca mais precisa de trabalhar”.</p>
<p><strong>S</strong>: 2011 ensinou-me que não vale a pena tentar conquistar a minha liberdade se não conseguir integra-la em mim mesma.</p>
<p>Porque não posso conquistar algo que já sou.</p>
<p><strong>L</strong>: 2011 foi também o meu ano de liberdade financeira &#8211; não quer dizer com isto que esteja rico mas que libertei de todas as dívidas, segurança social e cartão de crédito.</p>
<p>Dizer que conquistei uma liberdade essencial é pouco para exprimir o que sinto mas estou curioso como é viver sem dívidas a partir de hoje.</p>
<p><strong>S</strong>: 2011 mostrou-me que essa liberdade não chega sob a forma do que possa aprender num curso, do que encontre escrito num livro ou imitando exemplos de sucesso de outras pessoas.</p>
<p>Porque não existe em nada que seja exterior a mim mesma.</p>
<p><strong>L</strong>: 2011 terminou com a reforma antecipada do meu <a href="http://www.gsmarena.com/blackberry_curve_8520-2889.php" target="_blank">smartphone</a>. Cheguei à conclusão que não quero ter um telefone para gente ocupada e produtiva e que a promessa de mais tempo livre e produtividade para mim não resultou e teve o efeito oposto. Feitios. Agora sou um orgulhoso possuidor de um <a href="http://www.just5.eu/cp09orange.php" target="_blank">telefone que &#8220;apenas&#8221; faz chamadas, recebe e envia sms e tem despertador</a>.</p>
<p>A produtividade e o tempo livre se os queremos ter têm de ser criados por nós e não depender de apêndices externos.</p>
<p><strong>S</strong>: 2011 fez-me perceber que essa liberdade não chega porque se larga um emprego das 9 às 6, porque se opta por uma existência simples e minimalista ou porque se abraça alguma prática energética vinda do oriente.</p>
<p>Porque não está na quantidade de coisas de faço ou que possuo mas naquilo que sou.</p>
<p><strong>L</strong>: 2011 foi a confirmação que a liberdade também se conquista pela aplicação do meu potencial criativo e no empenho emocional que coloco nos meus projectos. Este ano foi rico em iniciativas como os meus cursos de Chi Kung com suporte <em>on-line</em>.</p>
<p>Um dos projectos &#8211; <a href="http://www.devagar.org/ckdojo/programa/index.html" target="_blank">Chi Kung Dojo Rooting</a> &#8211; ganhou mesmo um prémio internacional no programa <a href="http://www.1shoppingcart.com/app/?af= 1369852&amp;u=http://trailblazerjourney.com/trailer/" target="_blank">Trailblazer</a> atribuído pelo <em>blogger</em> <a href="http://www.illuminatedmind.net/" target="_blank">Jonathan Mead</a> como o projecto que combinou melhor duas variáveis complementares &#8211; <em>Passion + profit</em>.</p>
<p>Podemos transformar a nossa energia transbordante de várias formas. A criatividade é para mim uma das mais genuínas e com menos efeitos secundários.</p>
<p><strong>S</strong>: 2011 demonstrou-me que essa liberdade é minha, sou eu. Nasce comigo e não há emprego, dinheiro, julgamento, lei ou imposto que a possa aniquilar.</p>
<p>A não ser eu mesma.</p>
<p><strong>L</strong>: Em 2011 descobri que é possível escrever durante 30 dias. E que isso por si só é uma liberdade conquistada &#8211; Disponibilizar recursos para um projecto.</p>
<p>Hoje acredito que existe tempo para o tudo o que queremos. Só precisamos de uma coisa &#8211; fazer a escolha de onde queremos investir o nosso tempo. &#8211; De criar prioridades.</p>
<p><strong>S</strong>: 2011 devolveu-me esse poder. De viver a minha liberdade como sendo eu própria sem deixar que nada nem ninguém, diga o que disser, ma retire.</p>
<p>Um ano depois consciente de que a minha liberdade sou eu 2012 oferece-me a oportunidade de perceber que esta liberdade pode ficar mais rica se experimentada no plural.</p>
<p><strong>L</strong>: 2011 ensinou-me a importância do primeiro passo. Que pode ser imperfeito, vacilante e assustador mas para onde quer que eu me queira mover esse passo tem que ser dado.</p>
<p>E nesse movimento reside a base do nosso poder pessoal de realizar os nossos sonhos &#8211; no singular ou no plural.</p>
<p><strong>Silvia &amp; Lourenço</strong>: 2012 é o ano em que os verbos dos nossos dias passarão a ser conjugados na primeira pessoa do plural.</p>
<p>E quem nos conhece (e sabe da nossa obsessão pela individualidade e solidão) percebe facilmente que 2012 promete, à partida, grandes desafios.</p>
<p><a href="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/01/MANA_LORENCO-4.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1498" title="nós" src="http://devagar.org/gblog/wp-content/uploads/2012/01/MANA_LORENCO-4-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
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