
Na língua japonesa existe um termo que define a unificação da intenção e acção – Joriki.
Esta unificação só é possível quando a mente tende para a descompartimentação.
No entanto é fácil que a vida esteja dividida em várias caixas e repartida em muitas acções que muitas vezes não têm nada a ver umas com as outras.
- A caixa do trabalho
- A caixa da família
- A caixa dos tempos livres
- A caixa do amigos
- A caixa do ginásio
- entre outras caixas…
Esta compartimentação cria a desintegração da energia vital - o “ki” da palavra Joriki pode ser traduzido como energia vital.
Mais sintomas de que a energia vital está compartimentada.
- Pensamento disperso
- Cansaço físico e mental
- Multi-tasking sem qualquer fio condutor
- Sensação que a vida não faz sentido
- Sensação de estar a perder o controle
Perante a fragmentação torna-se difícil focar porque a energia está dividida em múltiplas tarefas sem qualquer ligação. Em última instância é a diversidade de “coisas” que se possui e faz – algumas com papel meramente decorativo, que impedem o movimento em direcção à realização dos sonhos de cada um.
Pode-se imaginar ter 1000 euros mas divididos por 10 bancos. Se quiser comprar uma viagem de avião com multibanco não pode, porque não tem dinheiro suficiente utilizando apenas um cartão.
O joriki está presente em todas as práticas meditativas, artes terapêuticas ou marciais. Concentrar toda a energia num só ponto num dado momento e prolongar este momento o tempo que for necessário. Quer fisicamente quer mentalmente.
Quem está a ler este post e pensa que Joriki é só para os iluminados pense
- Na forma como aperta a mão a alguém – quanto de si está nesse momento?
- Numa entrevista ou reunião importante – está ou não está?
- Quando está doente – até que ponto é possível unificar a vontade de recuperar com as acções?
- Quando cozinha ou pratica qualquer arte doméstica – como se envolve no processo ou está “ardendo” para acabar?
- Ao ouvir outra pessoa – Está a ouvir ou está muito longe protegido por aquele sorriso como um telemóvel em sleep mode?
- etc….
Ajuda criar uma rotina de meditação, prática energética ou marcial, estas são formas de eleição para desenvolver a concentração e o foco, mas se a vida já se encontra cheia de caixas esta vai ser apenas mais uma caixa. – A caixa das coisas orientais.
Integrar aquilo que se tem parece ser o movimento mais importante para criar Joriki – Abrir as caixas e coloca-las a comunicar umas com as outras. Unificar o mais possível as diversas áreas da vida criando um equilíbrio dinâmico entre elas.
No entanto, esta integração de caixas nem sempre parece muito directa
- Há famílias que se separam porque um dos elementos passa demasiado tempo no trabalho
- Há famílias que se separam porque os conjugues começaram a trabalhar juntos
- Há pessoas a experimentar retiros de meditação, a terminar laços familiares e a escolher a a vida monástica
- Há monges que decidem viver uma vida familiar
- Há quem viva na cidade com o sonho de ir viver para o campo ou para a selva
- Há quem tenha conhecido um chefe de uma tribo na América do Sul que vivia na floresta e que o seu foco era juntar dinheiro para sair dali – o mais rapidamente possível.
- …
Não há portanto um caminho directo para a integração de opostos, nem um livro em que seja possível aprender esta integração.
Há uma fórmula que pode ajudar a desenvolver o Joriki:
Integração = mais energia = mais foco = mais possibilidades
em vez de
Fragmentação = menos energia = menos foco = menos possibilidades
Ou ainda a frase
“O Homem realizado deverá ter integrados em si uma arte, um trabalho e uma ciência” - autor desconhecido.

>>>Da quietude ao movimento [uma reflexão]