Lidar com a mudança

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Uma das Nobre Verdades de Buda expressa a qualidade de que tudo o que nos rodeia tem um carácter de mudança ou impermanência e a não aceitação dessa mudança cria sofrimento.

A capacidade de adaptação à mudança define a sobrevivência de uma espécie. No caso dos dinossauros isso foi claro, outras espécies adaptaram-se e sobreviveram os dinossauros não.

Nos dias de hoje o mesmo está a ser pedido que se faça. Fala-se numa grave crise económica que de facto dá alguns sinais mas o passado está cheio de crises, fomes, guerras e pestes…

Na tradução do classico de Medicina Tradicional Chinesa do Imperador Amarelo pode-se ler que a vida do Homem já não é como era, que as pessoas viviam muito mais tempo e agora morrem mais cedo. As possíveis causas recaem na alimentação, na forma apressada como as pessoas levam a vida, como desgastam a energia vital com coisas fúteis e o clima. – Este clássico foi compilado há cerca de 2000 anos atrás.

A vida não se alterou assim tanto. Este clássico tem uma característica muito interessante foi o primeiro livro onde se colocou a responsabilidade no paciente. Hoje, muitos livros de saúde e patologias referem as doenças como algo que surge e que têm de ser tratadas no Imperador Amarelo a causa e ao mesmo tempo a solução passa não só pelo terapeuta de Medicina Chinesa como também pelo paciente. A sua participação no processo é essencial para a recuperação e prevenção da doença.

Assim o barómetro ideal medir a capacidade individual ou colectiva de lidar com a mudança está na pergunta.

Até que ponto estou envolvido neste processo?

Até que ponto é que individualmente ou colectivamente existe vontade de me envolver e responsabilizar por aquilo que me aflige?Pode ser uma doença, pode ser um conflito entre duas pessoas, pode ser um crise nacional ou mundial.

Existe a tendência com o passar dos anos que seja mais fácil que cuidem de nós, que nos forneçam tudo aquilo que precisamos sem qualquer responsabilidade nossa, apenas temos de pagar e ser servidos. Resultado – O Homem tem vindo a perder pouco a pouco a sua capacidade de cuidar de si de se responsabilizar por ele mesmo. A comida pode ser comprada pronta, as viagens são feitas pelo GPS, os carros estacionam sozinhos, alguém pode ser pago para nos tratar da saúde, para limpar a casa, para nos educar os filhos, para nos divertir e nos dar prazer. Acredito que hoje tudo pode ser comprado para evitar responsabilizar o homem daquilo que é importante.

É claro que quando surge a mudança e o confronto alguém tem que ser responsabilizado. Pode ser o país, o presidente, o vizinho, a pessoa mais próxima, os progenitores a vida anterior…

Na prática do Chi Kung ou de uma qualquer arte oriental o professor “nunca” responde a uma questão que se inicia com a palavra “Porquê” a pergunta deve ser feita iniciando com a palavra “Como”.

A primeira forma de pergunta não apresenta qualquer envolvimento na resolução, o “Como” já implica que quero participar nessa resolução.

Do “Porquê” surgem mais e mais questões e cada vez menos responsabilidade, do “Como” surge um movimento que trás a experiência e o ganhar mestria sobre os processos que queremos assumir e reconquistar de novo para nós.

Está na altura de deixar de perguntar Porquê… “porquê que isto me acontece?”, “porquê logo a mim?”. E mudar a pergunta para “Como posso fazer para lidar com a mudança?”, “Como posso saber mais para melhorar a minha saúde/qualidade de vida/relacionamento?”, “Como posso criar mais possibilidades na minha vida?” e… não ter medo de errar.

Como____________________________________________? [preencha o espaço vazio]

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2 Responses to Lidar com a mudança
  1. Clara Mota
    July 9, 2010 | 23:24

    muito bom o post Lourenço!
    De facto todos perguntamos porque é que isto nos está a acontecer e poucos como é que vou mudar para melhor…

  2. devagar
    July 23, 2010 | 00:03

    A esperança é que podemos mudar sempre isso… basta querer.

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