Uma das ideias que me agrada no futuro é viver com o mínimo de objectos possíveis. Alguém referiu que 150 objectos é o número máximo que conseguimos reter na nossa memória. Reconhecem-se os nossos objectos quando convivemos diariamente com eles, mas com o tempo e o afastamento da vista esquece-se aquilo que se possui.
O melhor teste para esta teoria é colocar numa caixa roupa que não se utiliza, fecha-se durante um ano e passado este período de tempo tentar recordar o que está lá dentro. Na maior parte das vezes existe uma vaga ideia do que ai se encontra mas não o seu conteúdo total. Só quando se abre esta caixa é que “ah!… olha esta camisola já nem me lembrava que a tinha” – Quem já passou por isso sabe do que me refiro.
Mas antes de tentar minimizar os objectos que tenho até ao menor número possível pensei em passar por uma fase intermédia:
- Reciclar ou vulgo deitar fora, mas nos tempos que correm podemos faze-lo de uma forma mais civilizada – Lixo diferenciado ou não diferenciado.
- Dar é uma forma ainda mais requintada de reciclar, dar aquilo que já não precisamos não deve ser confundido com dar aquilo que não queremos.
- Vender aquilo que já não se precisa é uma arte. Vender não faz parte da minha programação de origem e até agora tenho conseguido reduzir aquilo que possuo apenas com as duas primeiras. Embora não seja especialmente dotado para vender reconheço que não é uma questão que coloque de parte.
Algumas áreas de intervenção neste movimento #7
- Livros e Revistas, começo pelo mais doloroso. Embora por enquanto não tenha conseguido pensar em dar muitos livros com as revistas adoptei o método de quando compro uma revista dou uma mais antiga. Por cada livro que comprar ofereço um que tenha e que já não precise ou que já tenha lido.
- Roupa, tenho muitas t-shirts e outras peças que já não uso por razões várias. Existem hospitais e outros locais que aceitam este tipo de ofertas. Alguns sapatos também têm os dias contados.
- Escritório – A chamada guerra dos papeis, cheguei à conclusão que havia pastas com facturas de electricidade, telefone, água que transportei religiosamente das casas anteriores para esta, talões, facturas que já perderam a tinta, envelopes que não abri, certificados de garantia, caixas e manuais de instruções de coisas que já não tenho … o papelão agradece.
- Cozinha, Alimentos que nunca consumi, sacos onde os bichos entraram e não saíram, produtos de limpeza que já substituí por produtos ecológicos. Uma das estratégias é cozinhar aquilo que se tem até a cozinha ficar limpa. Nomeadamente cereais e leguminosas.
- Objectos repetidos, tenho duas facas de cozinha de vegetais, são as duas lindas mas não as consigo utilizar ao mesmo tempo, assim como um telemóvel, canetas várias, blocos de notas, até livros e revistas, pauzinhos chineses QB, mochilas… etc etc. “There can be only one”. [ponto]
- Casa de banho, aquilo que tenho caminha lentamente para o suficiente que cabe numa pequena bolsa para os produtos de higiene. Aqui também encontro objectos repetidos – Escovas de dentes, champô, gel de banho entre outros frascos com líquidos às cores uns mais ecológicos que outros em parte também deixados pelas visitas quando se vão embora.
- Suplementos, embora não seja obrigatório por ser terapeuta mas fui acumulando nestes últimos dez anos muitos tipos de suplementos. Uns que comprei para vender e não vendi, que utilizei para experimentar e outros que nunca acabei por tomar. Decidi ficar apenas com aqueles para as emergências e dar alguns que poderão ser úteis e que ainda estão no prazo.
Neste processo decidi não comprar aquilo que estou a ter dificuldade em consumir. Não comprar uma pasta de dentes nova só porque é mais completa e cool sem utilizar a que tenho, ou comprar feijão branco quando ainda tenho feijão frade. A lista de compras tem sido uma grande ajuda neste processo.
Tenho percebido que não é um caminho directo, leva tempo e em que a mente racional não pode ter grande espaço de manobra nesta escolha só porque – “Ainda pode ser preciso”, “É giro”, “Faz-me lembrar…” ou “Fica para quando tiver tempo de ler…”. Considero esta uma fase por si só importante na redução significativa daquilo que possuo. Eliminar o que é excessivo não é viver com menos qualidade, é viver com aquilo que realisticamente consigo utilizar e usufruir.
To have little is to possess.
To have plenty is to be perplexed.
Lao-tzu
>>>Da quietude ao movimento [uma reflexão]
Amigo Lourenço, concordo inteiramente. A parte da venda está para lá da minha capacidade. Dar roupas e sapatos não tenho problema, até porque na minha cidade há uns contentores onde os podemos pôr para serem entregues a IPSS várias. Agora os livros… Cada vez que tento, apanho-me a reler coisas em que já não mexia há anos, e lá voltam para o caixote (é, já não cabem nas prateleiras, a partir de agora ou mais estantes ou eu). Pois, a solução é agarrar nos caixotes e ir à bibliotece municipal. É o próximo passo.
Abraço
Sim, os livros também são o meu ponto frágil… já pensei em doar alguns a uma biblioteca, mas depois não sei se a medicina chinesa ou a macrobiótica não acabam também ai num caixote. Tenho dado livros a pessoas que lhes vão dar uso ou que penso que podem ser úteis. Arranjei uma outra solução. Tenho uma estante que enche a parede. E são esses os livros que tenho, nestes últimos 3 meses comprar um livro significa que outro tem que sair. Outra coisa que tenho feito é coloco o livro numa lista se ao fim de um mês ainda preciso dele e não consegui dar a volta de outra forma então compro-o. Resulta. Obrigado pelo teu comentário.