Esta é uma das questões que ocupam o ser humano desde que a mente humana percebeu que a impermanência existe e que a nossa existência como agora a conhecemos muda constantemente até um dia não estar cá.
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Na Medicina Tradicional Chinesa quase todos os livros tradicionais falam nesta questão. A corrente médica Taoista é talvez a mais clara nesta questão embora muito simples declara que aquele que adopta o comportamento da Terra e do Céu será tal como eles eterno.
Um dos meus escritores preferidos Hsü Ta-ch’un escreve que uma das formas de atingir a longevidade é o desapego da luxúria, da fadiga provocada pelo trabalho e do pensamento excessivo. No entanto sublinha que mesmo quem é desapegado da luxúria, do trabalho fatigante e do pensamento excessivo um dia vai enfraquecer e morrer também.
Assim a longevidade e a Vida para a Medicina Tradicional Chinesa tem a ver com a nossa chama ou vitalidade, essa chama consome a nossa madeira ou essência. Quanto mais fogo é criado pelos factores acima mencionados mais rápido esta madeira vai ser queimada. Um dia esta madeira vai ser consumida e o importante é manter este consumo a um ritmo estável – e a isso chama-se longevidade com qualidade de vida.
É importante a luxúria, o trabalho e o pensamento, resta saber como, quando e em que quantidade estes factores ocupam a vida. Mas acima de tudo como estes factores se tornam hábitos e se tornam crónicos.
Longevity starting guide – Guia de partida para a longevidade.
Observar a impermanência: Tudo é impermanente segundo o Budismo e é o bambú seco e menos flexível que um dia parte e cai afirma o Taoismo. Viver sem a consciência da mudança das estações e do movimento incessante e fresco e renovado da natureza é o princípio para a rotina e a rigidez se instalar. A natureza não é rotineira é imprevisível. Pressuposto: A ilusão que há coisas que vão sempre estar lá. Exercício [soft core]: observar uma árvore a caminho do trabalho ou da escola ou no vosso percurso habitual ou mesmo da janela de casa. Observar quanto ela muda durante o ano. Eu sei que ela muda, todas as árvores mudam, mas observem, durante 365 dias. Exercício [Hard core]: Imaginem se aquilo que de mais querido têm se perde. Vivam na vossa mente esse momento pelo tempo que quiserem e aceitem isso como um possibilidade – sorrir no final do exercício.
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Questionar a impermanência: Quantas vezes as coisas são feitas iguais, os mesmos alimentos, a mesma sequência de treino, o mesmo caminho para casa ou trabalho. Exercício[Soft core]: perceber o que pode ser mudado: mudar os alimentos, se comem de uma forma menos saudável permitam-se disfrutar de um novo tipo de combustível – perdão! alimento. Se comem certinho e são saudável permitam-se outras viagens para lá da fronteira daquilo que acreditam ser clean e saudável, mudar de jornal, mudar de motor de busca, tentar novas combinações de treino ou um caminho diferente para o trabalho ou para a casa – comecem pelo simples, gratuito e nas vossas escolhas individuais. Exercício [Hard-core ]: Todos os dias uma mudança nova, durante 21 dias.
Viver com a impermanência: Mais importante que aceitar que tudo muda é fazer parte desta mudança deixar de ser espectador para se tornar participante. Mas viver com a impermanência não é escolher, é estar atento à possibilidade de mudar, não é escolher abrir portas é entrar naquelas que se vão abrindo. Exercício[Soft core] : Passar um período de tempo sem escolher. Pode ser um dia ou uma hora ou meia hora. Entrar nas portas que se vão abrindo. Não é estar à deriva é estar atento. Exercício [Hard core]: Fazer disso uma prática diária durante 21 dias.
Quando se percebe o papel da impermanência na longevidade vê-se a vida como um processo orgânico e percebemos que viver mais não é adicionar mais, mais suplementos, mais técnicas, mais livros – isso faz parte da vida mas não é a Vida. A Vida e a longevidade não tem formulas, não são um processo de adição de conhecimento mas sim de subtração e simplificação.
Ainda com o Tao Teh Ching Cap 48.
“
In the pursuit of learning, every day
something is acquired.
In the pursuit of Tao, every day
something is dropped.
Less and less is done
Until non-action is achieved.
When nothing is done, nothing is left
undone.”
>>>Da quietude ao movimento [uma reflexão]
como tenho agora todo o tempo do mundo, vou tentar estes exercícios, mas se não conseguir também não faz mal.”Quando nada e faz, nada fica por fazer”. Gosto!
brilhantxe.
obg *
No mesmo sentido, e concordando inteiramente com o acima exposto:
Creio que compreender e aceitar a contínua transformação dos fenómenos …a mudança … o movimento – a impermanência -, e praticar o não apego (não deixar cristalizar dependências )é caminhar o caminho do Tao.
Se me deixo aprisionar por um hábito, um pensamento, uma rotina – fico apegado. Se pratico uma rotina (p.ex. um movimento) com inteira consciência e atenção, essa rotina deixa de ser uma rotina: é um movimento novo feito pela 1ªa vez.
Se deixo de fumar ganho o não apego ao tabaco.
Se não posso viver sem aquela X pessoa é porque estou apegado a essa x pessoa … pode não ser amor!
Se discorro e não pratico, estou apegado ao pensamento … (não me parece que seja essa a via do Tao)
Este é o meu entendimento do apego e do não apego
Jorge Falcão